I wish I were a Warhol silk screen hanging on the wall. Or little Joe or maybe Lou. I'd love to be them all. All New York's broken hearts and secrets would be mine. I'd put you on a movie reel, and that would be just fine. Ian Curtis
6.10.08

Quando o assunto é arte e cultura há uma frase que acabo sempre por dizer:

Não tem 200 anos, não presta!”

Claro que não acredito realmente nesta frase, apenas é dita em género de provocação. Mas serve para ditar o mote.

No outro dia, fui assistir aquilo que se pretendia ser uma pequena tertúlia subordinada ao tema da existência, ou não, da cultura em Portugal, no geral, e na cidade onde habito, em concreto. Ora eu pensava que ia ser uma coisa gira, mas não.

A coisa começa com o facto de toda a gente, inclusive pessoas que integram associações culturais, dizerem que, realmente, não há cultura nenhuma. Não gosto de consensos.

Depois, e ainda que a coisa tenha resvalado para considerações políticas, sendo que até aí um pessoa vai preparada, houve uma mente iluminada que decidiu justificar a existência, ou da falta dela, aos romanos. Sim, isso mesmo. Tudo se baseava na evolução histórica que vai conduzir a uma aculturalidade (se é que podemos dizer assim).

E é aqui que a coisa se torna ainda mais surreal, pelo menos aos meus humildes olhos e compreensão. Esta mente brilhante e iluminada diz que:

- A burguesia é o ímpeto de cultura, não teço quaisquer considerações positivas ou negativas. Mas o que acho extraordinário, é que esta mesma mente iluminada despreza a burguesia, acredita que esta classe é o mal de tudo;

- Considera o marxismo como a única corrente que conduzirá à felicidade e à melhor e maior “humanização”, e só assim a cultura terá o seu apogeu;

- Dá exemplo de Óbidos como um expoente cultural actual, uma vez que tem um pólo cultural em franca expansão e “cria 1000 empregos” (SIC).


E tudo para terminar com a defesa de uma elite cultural e com um “temos que ensinar o povo” (SIC).

Calma, muita calma.

Estamos a falar de alguém que critica uma classe, a burguesia, como causadora de todos os infortúnios do mundo, mas defende uma outra classe, ainda para mais uma elite. E cultural. Juntarmos as duas nem sei onde é que isto acabava. E pelos vistos seria esta tão desejada elite que iria ensinar o povo.

Considerações à parte, lembro-me de umas quantas questões, a saber:

- Quem é que disse que o povo quer ser ensinado?

- Que iria ser ensinado?

- Quais os critérios para se pertencer ao povo ou a essa elite?

São apenas algumas de que me recordo. É que, e isto é apenas única e exclusivamente a minha opinião, parece que quando essa gente, defensores de elites culturais e de uma cultura natural, metafísica, se esquece de uma coisa. Ou pelo menos penso que tendem a considerar apenas como cultura a música erudita e peças de teatro ditas intelectuais – é vê-los com exemplos de festivais e concertos de jazz, de peças de teatro de fulano A, B ou C e por aí fora -, mas esquecem-se de uma catrefada de outras coisa.

Mais, esquecem-se que a cultura tem que gerar dinheiro – sim, eu sei, ideia quase blasfémica – mas é verdade. O artista quer reconhecimento, quer o aplauso, o palco. Quer dedicar-se à sua arte, contribuir para a cultura. E isso é aenas possível se conseguir sobreviver da sua arte. Se alguém se interessar pela sua arte e estiver disposto a dar dinheiro para desfrutar da sua criação. Seja ela qual for.

E é aqui que entra mais uma outra crítica. Cultura não é uma meia dúzia de “artes” – à falta de melhor descrição – é antes um refinamento de gostos e de juízos artísticos; é o ponto máximo na purificação e no aprimoramento intelectual, (in Oxford English Dictionary). È um conjunto de vários saberes, interesses, com peso histórico e tradição, é a representação física do imaginação e do pensamento humano. É a sua materialização. Como pode ser reduzido a uma ou outra arte? Ainda que de extrema quailidade?

Não. Não. E não.

Cultura, e os gostos serão vários. Não se “ensina ao povo”, nasce do povo, como conjunto de uma população, enriquece-o e este promove-a. Cria riqueza, intelectual, artística e, porque não, monetária. Porque alguém imagina um Da Vinci trabalhar, sei lá, num estábulo, por exemplo, e ao fim do dia ir para a sua oficina? E quem diz Da Vinci diz Einstein, diz o John Lenon, o Elvis, Andy Warhol, Lou Reed, Goya, e por aí for a? Tem de ser a profissão dos artistas, não o seu passatempo.

Cultura abarca uma imesidão de géneros criativos e de génio. Cultura abarca, a meu ver, não se restringindo a:

- Concertos de jazz;

- Filmes;

- Videoclips;

- Concertos Rock

- Concertos de música vária, e porque não Pimba, há quem goste e não são menos pessoas por isso

- As feiras;

- Grafitis, o género de desenho e pintura, porque em propriedade privada, desculpem, mas é vandalismo;

- Os santos populares;

- Teatro

- Museos;

- Progrmas de televisão

- Jornais

- Revistas.

E por aí for a.

Nada disto demonstra os meus gostos, apenas procurar demonstrar o meu ponto de vista sobre o assunto.


P.S. O post enorme não se repetirá tão cedo.
link do post Eu e o meu Ego, às 16:31  comentar

 
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